…em um amanhecer ultramarino, em uma tarde azul, madrugada carregada de refletidas pérolas. Nos dissemos adeus. Em silêncio, a beleza do solilóquio. Não quis acrescentar nada mais. A insistência de que era uma flor. Aqueles gestos carregados de melancolia: braços como suaves estames, olhos como carpelos, pétalas acinturadas… E não podia ser de outra maneira: a reverberação nas estâncias; muitos aromas de flores conhecidas…
Em certos momentos um girassol que me falava entrecortadamente: "compreende-me sou do Reino das Flores…"
E dizer para mim, como tratando de ser condescendente, tem que estar doente. Porém nada disso. Ao contrário. A resposta rápida desequilibradora: "Claro, estou doente, não percebes que não podemos ficar trancadas!" Três, quatro passos, sacudindo seu corpo como o talho de uma faia noturna. Estar alerta. À espera. E suas últimas palavras: "Pertenço ao Reino das Flores", me disse a senhora… E de imediato aquele terrível pranto, enormes gotas que resvalam por suas bochechas texturizadas, pelas folhas-epidermes, pétalas-cabelos… O assombrar-me, não aceitar o que ocorre, o não pode ser, é uma ilusão, outro de nossos jogos…
Admitir que aquela bela flor corre vertiginosamente pelos corredores da casa e que seu envolvente hálito fica martelando para sempre em minha memória…
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